Aviso: Este "conto" foi escrito dia 04/06 no meu iPod, numa explosão criativa (não de muita qualidade pelo visto) que eu tive. Ele simplesmente não representa nada da realidade, é totalmente fictício, ninguém se preocupe com minha sanidade (ninguém se preocupa mesmo).
Era um prédio bem alto, felizmente não sei como ele estava aberto... Mas pouco importava, para mim aquilo tudo não importava, não ficava feliz mesmo quando o que eu queria fazer dava certo.
Peguei o elevador, apertei o botão da cobertura, ficava logo acima do vigésimo andar. Esperando na subida interminável, que horrível, eu não tinha nada para me distrair só podia pensar nas merdas a que fui submetido, queria que aquele elevador simplesmente explodisse, caísse e me matasse de uma vez; a porta se abriu.
Estava saindo quando vi que ainda era o décimo andar, uma linda mulher entrou. Ficou ali de costas na minha frente, ela estava subindo para o 19º andar. Aquilo só me fez pensar em como pessoas lindas existem, mas toda essa beleza de nada importa, só um agrado para os olhos. Aquela moça não conseguiria me salvar nem se tentasse, só uma pessoa poderia fazer isso, mas ela não se importava mais, talvez nunca tenha se importado. Então ela saiu, 19º andar, só mais um.
A porta se abre e subo uma escada para a cobertura, era uma noite gelada e o corrimão de ferro puro agrediu minha mão, me cortou mas sem sangrar, apenas doeu muito, o frio inundou meu braço, meu peito, tudo, progressivamente... Só meu coração não sentiu efeito, a era glacial em que ele já se encontrava.
Subi lá, aquele concreto imundo e cinza, senti cambalear, me joguei no chão chorando. Mas o chão estava estranho! O chão me machucava, não tinha nada ali... Mas sentia como se tivesse caído em espinhos de todas as formas e tamanhos, eles me perfuraram por inteiro, eu sangrava por dentro algo, tudo que me restava de bom. Um deles parecia ter transpassado todo o meu peito e arrancado meu coração que já estava morto. Me levantei num pulo assustado. Uma brisa gélida me enchia o rosto e eu não sentia frio nem calor, só tristeza e angústia.
Saltei.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
Encontrando um Amigo
Eu estava solitário, totalmente. Ninguém para dividir, dar ou trocar nada. E assim ia, se arrastando. Eu não queria que fosse assim, mas como poderia ser diferente? Nem dependia de mim. E das piadinhas na sala, dos blogs engraçados, das músicas toscas, das manias idiotas, das pessoas idiotas em volta, de tudo isso eu tirava minha vivência, era muito idiota, era maçante saber que estava desperdiçando de tal forma.
Então fazia as coisas que "gostava", comecei a fazer aulas de violão gratuitas na escola, era legal e simples, muito fácil, nem ensinava nada difícil ou bom. Lá pela 3ª ou 4ª aula eu acho, duas pessoas entraram na classe, eles começaram ali e eles pareciam extremamente legais, estavam na classe seguinte, eram um ano mais velhos. Então queria conversar com eles, saber mais sobre eles, porque eu estava numa missão, numa busca por um amigo. Era um objetivo oculto mas que sempre estava lá, e ele apareceu novamente como meta principal a partir desse dia.
Eles eram estranhos e diferentes, não vou mentir que tinha preconceito com eles... Andavam sempre juntos em 2, e ficavam escutando música e conversando. Ele tinha calça muito colada, eu achava aquilo ridículo e estranho demais, todo mundo chamava eles de homossexuais e eu passei até a concordar (mas sem falar nada).
Eles trocaram o horário do curso de violão e então passaram a fazer a aula mais cedo, logo na semana seguinte eu não vi eles na aula. Fiquei meio triste, mas ok... é assim mesmo, fazer o que. Então na semana seguinte eu estou entrando na escola para ir fazer a aula e me deparo com um deles, o de calças coladas, e vejo ele sozinho ali num banco tocando (tentando tocar) violão. Paro, penso por uns 10 segundos, e resolvo ir até lá (2 metros de distância apenas) e pergunto que horas são. Eu já sabia que horas eram, ou ao menos tinha uma ideia, mas mesmo assim acho que foi a melhor coisa que eu já fiz. Ele me respondeu, ainda tinha vários minutos antes da aula.
Então eu me sentei do lado dele e tentei puxar conversa, sobre o que ele ouvia e etc. Ele me respondeu que escutava rock psiscodélico, eu não fazia muita ideia do que se tratava. Então quando foi minha vez de responder o que eu costumava ouvir, eu pensei um pouco e pela primeira vez iria falar a verdade, porque havia alguma chance de que ele conhecesse e gostasse. Eu gostava naquela época de Rock Progressivo e Folk, tipo Jethro Tull, Gentle Giant, Supertramp e etc... e finalmente falei isso para alguém que conhecia essas bandas, e que de certa forma gostava um pouco.
Que estranho, existiam pessoas "parecidas" comigo, eu nunca tinha encontrado alguém assim, era muito diferente, eu sempre vivi nesse mundo idiota de cidade pequena mainstream. Então chega o amigo dele e outros dois caras que eram da sala dele, traziam uma coca-cola... Me ofereceram, a gente bebeu... alguns comentários sobre estar financiando guerras e o capitalismo, algo que nunca havia escutado alguém dizer enquanto tomava coca-cola, mas que eu concordava.
Então os outros dois amigos sairam e ficou só eu e eles, ficamos conversando... Papo-Cabeça, eu nunca havia tido um, por isso mesmo acho que exagerei, ficamos falando sobre Capitalismo, Socialismo, Guerra do Iraque, Mainstream, Underground, Filosofia, Escola, Vida, etc.... Isso tudo em 20 minutos, e eles queriam me mostrar uma banda que eles tinham descoberto e segundo eles era muito boa, se chamava MGMT, que nome estranho para uma banda eu pensei, mas era legal. Eu tinha acabado de ganhar o iPod num concurso, então usamos ele para achar o video da banda no youtube, eles queriam me mostrar Time to Pretend, só que não acharam, acabaram mostrando Love Always Remains. Eu nem gostei tanto assim, era meio chatinho, eu não estava acostumado a aquilo, e a letra, eu nem sabia da letra, se soubesse teria sido diferente.
Enfim, já estava na hora da minha aula, fomos caminhando até a saída da escola enquanto conversávamos, trocamos elogios em relação aos conhecimentos do mundo, e como éramos pessoas diferentes das outras dessa escola de merda. Combinamos de conversar mais depois, foram embora e eu fui para minha aula. A partir dali começamos a conversar e várias coisas aconteceram, ganhei um amigo.
Então fazia as coisas que "gostava", comecei a fazer aulas de violão gratuitas na escola, era legal e simples, muito fácil, nem ensinava nada difícil ou bom. Lá pela 3ª ou 4ª aula eu acho, duas pessoas entraram na classe, eles começaram ali e eles pareciam extremamente legais, estavam na classe seguinte, eram um ano mais velhos. Então queria conversar com eles, saber mais sobre eles, porque eu estava numa missão, numa busca por um amigo. Era um objetivo oculto mas que sempre estava lá, e ele apareceu novamente como meta principal a partir desse dia.
Eles eram estranhos e diferentes, não vou mentir que tinha preconceito com eles... Andavam sempre juntos em 2, e ficavam escutando música e conversando. Ele tinha calça muito colada, eu achava aquilo ridículo e estranho demais, todo mundo chamava eles de homossexuais e eu passei até a concordar (mas sem falar nada).
Eles trocaram o horário do curso de violão e então passaram a fazer a aula mais cedo, logo na semana seguinte eu não vi eles na aula. Fiquei meio triste, mas ok... é assim mesmo, fazer o que. Então na semana seguinte eu estou entrando na escola para ir fazer a aula e me deparo com um deles, o de calças coladas, e vejo ele sozinho ali num banco tocando (tentando tocar) violão. Paro, penso por uns 10 segundos, e resolvo ir até lá (2 metros de distância apenas) e pergunto que horas são. Eu já sabia que horas eram, ou ao menos tinha uma ideia, mas mesmo assim acho que foi a melhor coisa que eu já fiz. Ele me respondeu, ainda tinha vários minutos antes da aula.
Então eu me sentei do lado dele e tentei puxar conversa, sobre o que ele ouvia e etc. Ele me respondeu que escutava rock psiscodélico, eu não fazia muita ideia do que se tratava. Então quando foi minha vez de responder o que eu costumava ouvir, eu pensei um pouco e pela primeira vez iria falar a verdade, porque havia alguma chance de que ele conhecesse e gostasse. Eu gostava naquela época de Rock Progressivo e Folk, tipo Jethro Tull, Gentle Giant, Supertramp e etc... e finalmente falei isso para alguém que conhecia essas bandas, e que de certa forma gostava um pouco.
Que estranho, existiam pessoas "parecidas" comigo, eu nunca tinha encontrado alguém assim, era muito diferente, eu sempre vivi nesse mundo idiota de cidade pequena mainstream. Então chega o amigo dele e outros dois caras que eram da sala dele, traziam uma coca-cola... Me ofereceram, a gente bebeu... alguns comentários sobre estar financiando guerras e o capitalismo, algo que nunca havia escutado alguém dizer enquanto tomava coca-cola, mas que eu concordava.
Então os outros dois amigos sairam e ficou só eu e eles, ficamos conversando... Papo-Cabeça, eu nunca havia tido um, por isso mesmo acho que exagerei, ficamos falando sobre Capitalismo, Socialismo, Guerra do Iraque, Mainstream, Underground, Filosofia, Escola, Vida, etc.... Isso tudo em 20 minutos, e eles queriam me mostrar uma banda que eles tinham descoberto e segundo eles era muito boa, se chamava MGMT, que nome estranho para uma banda eu pensei, mas era legal. Eu tinha acabado de ganhar o iPod num concurso, então usamos ele para achar o video da banda no youtube, eles queriam me mostrar Time to Pretend, só que não acharam, acabaram mostrando Love Always Remains. Eu nem gostei tanto assim, era meio chatinho, eu não estava acostumado a aquilo, e a letra, eu nem sabia da letra, se soubesse teria sido diferente.
Enfim, já estava na hora da minha aula, fomos caminhando até a saída da escola enquanto conversávamos, trocamos elogios em relação aos conhecimentos do mundo, e como éramos pessoas diferentes das outras dessa escola de merda. Combinamos de conversar mais depois, foram embora e eu fui para minha aula. A partir dali começamos a conversar e várias coisas aconteceram, ganhei um amigo.
O Ator da Vida Real
Que idiota, pensar que só porque nos filmes se faz assim... Os filmes deveriam retratar a realidade só que eu só vejo eles retratando eles mesmos, então filmes são filmes e não reproduções da realidade, como deveriam. Se fosse fazer um filme sobre minha vida (ninguém ia assistir) ele seria muito diferente, os diálogos seriam diferentes, e o principal ia se perder, que eram as sensações, e esse é o porque dos filmes não retratarem a realidade, porque eles não conseguem.
Então como um idiota pensei, sempre fazem isso, talvez seja assim mesmo. Resolvi fazer da minha vida um filme, o que é um erro. Fui num banco sozinho e enquanto escutava Joy Division (Álbum Closer), dei aqueles goles amargos de merda, que merda. Nada, e eu escutei Shake me Down do Cage the Elephant, e continuava nada... terminei, joguei a garrafa no lixo e coloquei I Think I Like U 2 do Jamaica, coloquei pra repetir... andei pela praia inteira, devo ter escutado umas 8 vezes seguidas, ou mais... Então ok, subi para a avenida e andei até um mercado e comprei uma soda pra tirar aquele gosto horrível da boca. E AINDA NADA, que merda, além do gosto horrível.
Ainda escutando Jamaica (A mesma Música), já devia ter escutado mais de 13 vezes, fui ali aonde meus "amigos" estavam, e eles estavam felizes e rindo... Eu não, só estava puto da cara com o que eu tinha feito, com a merda que eu pensei que seria "legal". Então sei lá, só lembro fui para um canto chorar, chorei bastante acho eu, fiquei falando comigo mesmo e chorando e me arrependendo, sobre várias coisas, de certa forma foi bom, foi a melhor parte. Voltei e comecei a tocar música, mas eu nem conseguia direito, eu esquecia a letra e tocava errado, simplesmente me sentia frustrado.
Então as coisas começaram a acontecer mas eu nem sabia, foram tomar um açaí e eu não consegui, fiquei praticamente dormindo tudo, e então quando voltei tinha sido abandonado e tive que ir para a casa do meu amigo, já era de noite e tarde e não tinha acontecido nada de bom nesse dia, era um dia muito bonito aliás, que desperdício. Podia ter feito qualquer coisa.
Mas o que eu poderia dizer, seria diferente? Eu achei que sim, mas me enganei. Ao menos agora sei. Que a depressão é algo pra se lidar de frente e saber usá-la, não deixar que ela te use de maneira nenhuma, que ela te use para que você faça mal a si mesmo em vários sentidos e graus.
Não que seja totalmente ruim, talvez foi abuso ou sei lá, eu nunca gostei disso e não vou passar a gostar agora, principalmente agora, vou ficar na minha e fazer o que eu sempre faço, que é muito melhor. Me demito desse filme besta.
Então como um idiota pensei, sempre fazem isso, talvez seja assim mesmo. Resolvi fazer da minha vida um filme, o que é um erro. Fui num banco sozinho e enquanto escutava Joy Division (Álbum Closer), dei aqueles goles amargos de merda, que merda. Nada, e eu escutei Shake me Down do Cage the Elephant, e continuava nada... terminei, joguei a garrafa no lixo e coloquei I Think I Like U 2 do Jamaica, coloquei pra repetir... andei pela praia inteira, devo ter escutado umas 8 vezes seguidas, ou mais... Então ok, subi para a avenida e andei até um mercado e comprei uma soda pra tirar aquele gosto horrível da boca. E AINDA NADA, que merda, além do gosto horrível.
Ainda escutando Jamaica (A mesma Música), já devia ter escutado mais de 13 vezes, fui ali aonde meus "amigos" estavam, e eles estavam felizes e rindo... Eu não, só estava puto da cara com o que eu tinha feito, com a merda que eu pensei que seria "legal". Então sei lá, só lembro fui para um canto chorar, chorei bastante acho eu, fiquei falando comigo mesmo e chorando e me arrependendo, sobre várias coisas, de certa forma foi bom, foi a melhor parte. Voltei e comecei a tocar música, mas eu nem conseguia direito, eu esquecia a letra e tocava errado, simplesmente me sentia frustrado.
Então as coisas começaram a acontecer mas eu nem sabia, foram tomar um açaí e eu não consegui, fiquei praticamente dormindo tudo, e então quando voltei tinha sido abandonado e tive que ir para a casa do meu amigo, já era de noite e tarde e não tinha acontecido nada de bom nesse dia, era um dia muito bonito aliás, que desperdício. Podia ter feito qualquer coisa.
Mas o que eu poderia dizer, seria diferente? Eu achei que sim, mas me enganei. Ao menos agora sei. Que a depressão é algo pra se lidar de frente e saber usá-la, não deixar que ela te use de maneira nenhuma, que ela te use para que você faça mal a si mesmo em vários sentidos e graus.
Não que seja totalmente ruim, talvez foi abuso ou sei lá, eu nunca gostei disso e não vou passar a gostar agora, principalmente agora, vou ficar na minha e fazer o que eu sempre faço, que é muito melhor. Me demito desse filme besta.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Crônicas na Colina - Capítulo 1: Gramíneas Elevadas
Os passos suaves mesmo em terreno acidentado sempre fazem do andar minha forma preferida de locomoção, por isso apesar de ter de percorrer grandes distâncias entre minha humilde casa até o canto verde da cidade - aliás uma das poucas cidades que contavam com um parque isolado fazendo dele quase um meio rural, eu me contentava de caminhar aqueles quilômetros. Antes de absorver o costume da andança, houve a descoberta do lugar que me atrairia.
Nos limites da área urbana encontrava-se uma bela entrada para o Parque-Reserva Municipal, um misto de bosque, parque e área de preservação. O clima ameno como sempre, possibilitava uma grande variedade de árvores de todos os tipos, algumas rastejando, outras levantavam-se imponentes por vários metros, terminando em uma linda copa que floria-se toda primavera, colorindo ao longe todo o gradiente verde que era a paisagem.
Estava já há algum tempo naquela cidade, mas todos esses anos foram muito despercebidos, e todo o descaso com os prazeres de um lazer me fizeram ignorar aquele parque por muito tempo. Eu sempre tinha que fazer algo, não era necessariamente importante, até porque importância é relativa para os valores da época e circunstância, por isso na verdade, vendo pela perspectiva atual nada que eu fazia era importante, foram apenas desperdícios consecutivos de ações e atividades que se resumem no tempo.
Mas finalmente certa tarde, enquanto eu ainda estava me conscientizando para a variação da estagnada rotina, peguei um ônibus diferente. Toda quarta feira tinha aulas de arte no centro de convenções municipal, provavelmente a única coisa em minha rotina da época que não causa arrependimento, ficando do outro lado da cidade, era uma longa viagem. Muitas linhas passavam por ali, era como um centro da cidade, mas não ficando no centro. Logo ao lado era uma área industrial, não sei ao certo o que se fazia lá, não pareciam tão poluentes assim, fumaça branca e alguns caminhões carregando resíduos tóxicos. Ninguém que tivesse opção moraria naquela área com certeza, apesar disso não sei o que levou a prefeitura a construir um centro de convenções ali, diria que foi de certa maneira inteligente, afinal promoveu um "boom" no comércio local, o que levou à uma melhora na qualidade de vida daquele povo esquecido mas muito carismático que sempre que podia me convidava para jogar futebol nos terrenos baldios da região, era simples e divertido.
Na espera do ônibus no ponto, já estava acostumado a esperá-lo por cerca de 15 minutos no máximo, porém neste dia estava demorando um pouco mais, talvez exatamente porque as aulas foram encerradas antes do tempo normal, haveria uma feira de cosméticos naquele dia e toda a preparação atrapalhava a concentração necessária para se traçar linhas, afinar violões, colorir quadros, cantar em coral ou escrever boas estórias. Então finalmente ele chega, mas só depois de entrar percebi que o destino era na verdade o nobre Bairro das Gramíneas, ao menos felizmente parava em um terminal que possuía uma linha direta para minha casa, o que me acalmou perante este erro perfeitamente compreensível.
O trajeto se passava rapidamente ao olhar pela pálida janela que apesar de descolorir tudo que cruzava, continuava me trazendo a magnifica visão daquelas ruas e avenidas cheias de árvores, realmente um belo projeto de arborização foi implementado ali. Não me contive e tendo uma dupla de horas de sobra resolvi descer bem no centro do bairro, todas aquelas casas, grandes e arquitetadas com uma beleza grega, os monumentos e estátuas de pedra me fizeram querer explorar mais aquele local.
Não andava com muito dinheiro, apenas o essencial para o ônibus e um barato lanche da tarde, a minha reserva que era para caso precisasse de um táxi ou transporte extra viria a calhar neste dia, afinal teria que pagar por mais uma passagem de ônibus e quem sabe para entrar em algum lugar, afinal parecia um lugar aonde tudo precisava de dinheiro, muitos pedágios, parquímetros, estacionamentos privados, ali tudo era privado e pago, mas mesmo assim parecia maravilhoso e muito atrativo.
A avenida principal expressa um forte e diverso comércio, mas mesmo assim eu não me interessava por nenhuma destas vitrines, a maior beleza que podia encontrar era exatamente na calçada, essas árvores com troncos grossos e muitas ramificações sem perder o senso de resistência, e várias delas em fila ao longo da avenida, todas similares mas únicas o que dava um ótimo senso de homogeneidade heterogênea.
Por sorte havia um mapa que indicava os principais pontos do bairro, cheio de propagandas, provavelmente era um mapa pago pois indicava a localização de muitas lojas insignificantes, mesmo assim me chamou a atenção no canto do mapa uma área lacunada em verde definida como Parque-Reserva Municipal, e apesar de ficar a varias quadras dali resolvi me dirigir a ele.
Situado em algum tipo de depressão, pude ver, descendo a rua transversal, ao longe já aquele agrupamento enorme de mata nativa de certa forma organizada, estava feliz pois nunca havia visto nada similar e parecia um bom lugar para se ficar, quanto mais perto chegava percebia que era meio desabitado. Aquele patrimônio publico nos limites de toda a mais privada propriedade eram quase uma fuga daquela realidade individualista, e ali a natureza podia dividir com todos a sua beleza e seu mais agradável ambiente.
A entrada era por uma viela de pedra onde um arco anunciava o "Parque-Reserva das Colinas", algumas informações em uma placa apenas para saber as espécies, extensão e características, nada que me importasse muito no momento; não havia visto ninguém até agora e mesmo o posto da policia ambiental estava vazio sem parecer, porém, abandonado. Receoso, adentrei nas trilhas que no começo eram bem definidas e firmes, com lajotas, e as árvores se encontravam de forma organizada o que me fez acreditar que provavelmente eram reflorestadas, algo para pesquisar mais tarde.
Enquanto me distanciava da entrada, os bancos, lixeiros, placas informativas iam rareando e as trilhas começavam a se tornar mais estreitas e simples, até que chego na área de preservação e lá a trilha era um simples corte entre as árvores, uma terra batida ia guiando, nem pensava em me perder, estava seguro de que o mapa mental traçado era perfeitamente acessível e confiável.
Uma placa levemente deteriorada apontava com uma seta para uma sutil subida, que pela inclinação nem necessitava de escadas ou corrimãos, até porque se precisasse não haveria uma seta, pensei eu. Mas a subida foi longa e finalmente atingi um clarão, onde as densas árvores se ausentavam por vários metros quadrados, criando um grande campo arredondado e verde-claro apenas de grama e capim, imaginei que haveria algum tipo de pastagem ali, mas nenhuma alma viva, animal ou humana, e o dia ia escurecendo o que era agravado pelas nuvens que sobrevoavam a região, bloqueando o sol.
Tendo chego até aquele campo abobado, quis ir num topo, não muito íngreme mas relativamente alto, aonde a grama parecia mais verde e uns últimos raios de sol conseguiam traspassar a densa água vaporizada no céu. O chão estava relativamente seco, o que facilitou a subida; assim o ar, que com a subida um pouco mais acentuada, se mostrou indigno de esforço físico, estava muito seco e a garganta doía por líquido, estando longe de qualquer tipo de torneira ou lanchonete eu só podia lamentar.
Mas a lamentação foi interrompida pelo término da escalada, o topo era meu e esperando ver grande parte da cidade dali de cima percebi que na verdade esta colina era voltada para o lado oposto, um misto de fazendas e pequenas florestas, era bonito, mas me confundiu e eu esperava me lembrar de como sair dali. A altitude ao menos me ajudou a ver uma colina um pouco longe, supostamente voltada para onde seria a cidade, pelas estimativas chegaria rapidamente no topo dela, cerca de 20 minutos, e eu realmente precisava. Mas sem trilhas para seguir resolvi ir direto ao ponto e em linha reta marchei pelas áreas aonde o capim era mais baixo e eu esperava não me encontrar com nenhum animal peçonhento, afinal seria uma morte angustiante na certa.
Por fim, ao me aproximar do sopé daquele monte que era mais acentuado, verde, bem cuidado e apenas com pequenos arbustos e arvores esparsas e parecia até haver trilhas e bancos. Na verdade aquela era a colina que fazia parte do bosque, uma área que não era de mata nativa e ali ao menos havia um pouco de civilização, e realmente podia se ver uma boa parte daquele bairro, daria para ver mais se a colina não fosse situada numa depressão, o que anulava em parte a sua altitude, mesmo assim era uma sensação ótima e um lugar incrível para passar o tempo, alem de se mostrar de acesso muito mais fácil, o sol conseguia iluminar ali ainda, sendo um dos últimos lugares aonde ele se disponha a atingir, mas não por muito tempo, a noite chegava e eu tinha que sair dali rápido, não apenas por ser perigoso ficar num bosque a noite de quarta, mas também porque devia satisfações do que tinha feito e provavelmente seria inaceitável descrever esta pequena e potencialmente perigosa aventura. A trilha de descida que fiz caindo em alta velocidade, terminava logo na entrada, mas numa saída lateral que não havia visto, ao menos um sistema viário para me localizar sem ter que recorrer a pedras, arvores ou relevos.
Um ponto de onibus ali perto, que ao que tudo indicava passaria pelo terminal perto de casa. Na espera, sozinho e pensativo, já imaginei como seria a próxima oportunidade de estar lá, o que fazer e como. Talvez ler um livro deitado naquela grama diferente que acolchoava o terreno e que ao descansar os olhos das letras impressas poderia apreciar a paisagem, o provável céu azul e as bonitas casas e ruas ao longe. Combinei comigo mesmo de ir lá novamente no dia seguinte, o ônibus chegou e como a viagem seria relativamente curta, eu me sentei e apenas me dispus a conversar comigo mesmo maneiras de fazer de tardes como essas uma rotina, finalmente uma rotina para considerar. Cheguei a várias conclusões filosóficas em minha mente, varias frases de efeito, escrevi alguns livros na cabeça naqueles 20 minutos, mas foi tudo momentâneo e se perdeu ao descer do ônibus, quem dera ter escrito e poder ler agora linhas de pensamento eufóricas alegram qualquer um.
Acordei no dia seguinte e estava chovendo, a colina teria de esperar mais 7 rotações terrestres, e no final só agora que tudo começa, mesmo o marco inicial tendo sido esse dia eu nem imaginava como acabaria, eu nem imaginava o que havia começado.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Crônicas na Colina - Introdução
Eu nunca havia imaginado que sequer fosse desmoronar um dia, tão sólida e tantas lembranças que vão permanecer por tanto tempo, me fazem acreditar que a colina verde e exuberante ainda esta lá. Uma bela ilusão para passar as noites de quarta feira calmo. Afinal ultimamente minhas responsabilidades estavam tomando tempo demais da minha vida, e todas as minhas aspirações de certa forma deslizaram junto com o barro vermelho.
E toda a força que aquele monte emanava, não bastou para se sustentar perante um certo diluvio que coincidia com minhas lágrimas, eu aguentei, mas uma parte de mim se perdeu em meio a toda a água purificadora que saía dos meus olhos, que junto com essa colina foi-se perder no tempo. No processo de cura não ganhei nada, só deixei de perder.
E por mais que seja doloroso lembrar de algo bom que acabou, é importante passar isto a limpo, e talvez um dia aonde a nostalgia seja maior do que a saudade, poderei obter boas sensações com as descrições. Desde a descoberta até as tardes de aprendizado moral por interpretação associativa ou as "primeiras vezes".
domingo, 8 de maio de 2011
Epopéia do Começo dos Bons Tempos
Finalmente indo ver do que se tratava. Estava extremamente ansioso e eufórico, tinha ótimas expectativas pelo que havia conversado pelo Twitter e MSN, a troca de ideias e semelhanças, tudo bem diferente do que normalmente acontecia.
Desde de dentro daquele onibus que tratava com desprezo pela relativa falta de conforto e pela longa e desnecessária rota, eu já estava feliz como consequência da ansiedade, uma ansiedade otimista e isso transformou a viagem em um calmo e feliz passeio. Fui mais cedo do que devia, e por isso tive que esperar bastante. A única coisa que podia fazer era escutar música ou tocar música, com meu violão que realmente era o único apetrecho útil e legal que carregava.
Passava-se a hora da chegada, mas nada... já estava no ponto de encontro e a ligação não se completava, mas insiti e consegui finalmente contato, soube que estavam para chegar em breve. Aquele local de alimentação de péssima qualidade mas que mesmo assim incitava certo desejo por causa da propaganda, nem prestava atenção direito, só me desligava e pensava nos possíveis desfechos do dia e como era algo extremamente incerto, havia muito campo para a imaginação correr.
Sentado num banco, óculos escuro e camisa verde, violão em punho e sendo usado. Pessoas passavam, as vezes pensava que podiam ser elas, mas passavam reto. Até que de longe vi duas meninas, provavelmente eram elas, na verdade eu tinha uma certeza. Fingi que não vi, seria melhor me dar por desligado do mundo, certas pessoas acham isso legal, eu acho isso legal. Elas param, e falam oi... com certa apreensão, afinal creio que não havia uma total certeza de que era eu, mas eu sabia que eram elas. E podendo perceber melhor quem elas eram, atras dos óculos escuros que também vestiam. Uma roupa casual e bem legal.
Mesmo assim fiz um cumprimento bem tímido. Ficamos lá por pouco tempo, fomos então para um banco na praia. Daquela semana cansada, na verdade nem havia feito nada para ficar cansado além de dormir pouco. Mas sentia um sono, na verdade não chegava a ser sono, mas sonolência.
A conversa de verdade começa, trocando informações óbvias e fáceis, infelizmente não havia como entreter direito, não era engraçado, e só sabia canções simplificadas de músicas que nem eram tão apreciadas e famosas. Então, Help! I Need Somebody! Foi difícil me convencer a fazer isso, afinal minha voz é horrível e sou um pseudo-violinista. Isso é uma Loucura! Tchuruchuchuchu
Naquele Pseudo-Shopping, tomando um suco de maracujá, um dos melhores que ja tomei, simplesmente pela compania. As risadas rolavam soltas, nem importava o que as causava, mas eram muito boas. E naquela mesa de bar a céu aberto que estava fechado, mas não impedia que três adolescentes sentassem para apreciar sua bebida não-alcóolica que trazia muitas sensações.
Andando pela avenida daquela cidade que só me trazia boas lembranças e laços se fortaleciam. Paramos em um ponto, em um pico. Do lado da venda de jogos crackeados e óculos falsificados, ali sentamos e novamente conversando, tocando. Tocando flauta improvisando, uma familia de passagem elogiou. Mas aquele sono batia muito forte, e tão forte que me sentia entorpecido, preguiçoso e nem queria pensar, e aquele momento estava tão bom que parecia realmente um sonho, só podia ser um sonho. Mas estava com medo, que isso levasse a conclusões erradas, porque nem eu nunca havia visto tanto sono em uma só pessoa, talvez fosse apenas psicológico.
E o dia chegando ao fim, era hora de ir. No ponto de ônibus, na frente de uma feira de frutas, perto de uma escola e igreja. Tirando conclusões e soltando opiniões, que viriam a soar hipócritas depois, mesmo não sendo totalmente. Ah mas os ônibus passavam e a despedida era adiada, nunca era realmente aquele. E no final vocês tiveram que sair, um abraço triplo em conjunto. Tchau
Mas............. eu ainda pensava, dentro do ônibus. Será que era possível ter uma tarde tão perfeita como aquela? Ah e ja tinha acabado, mas parecia que não, e até hoje ainda parece. E pensava, ok... finalmente achei pessoas para me divertir de verdade, sem precisar fazer nada além de ter um violão e um espaço para se sentar. Porém estava temeroso para saber se elas haviam se divertido tanto quanto eu (Com certeza não), acho que não é possível, porque no final não deve ter sido muito especial, foi normal, mas foi bom e isso que é o mais legal e torna tardes normais em tardes especiais.
E sabia que enquanto pudesse ter tardes como aquelas, minhas semanas e meses seriam felizes e só disso precisaria para continuar vivendo bem. E o melhor, agora percebo o quão guardadas as lembranças desta tarde estão, e que agora só de me lembrar posso ficar feliz com a nostalgia, mas triste com a saudade.
"You'll be happy and wholesome again
When the city clears and sun ascends" M & S
Eu sei que epopéia é para POEMAS, mas eu precisava colocar esse título mesmo nesta prosa.
Desde de dentro daquele onibus que tratava com desprezo pela relativa falta de conforto e pela longa e desnecessária rota, eu já estava feliz como consequência da ansiedade, uma ansiedade otimista e isso transformou a viagem em um calmo e feliz passeio. Fui mais cedo do que devia, e por isso tive que esperar bastante. A única coisa que podia fazer era escutar música ou tocar música, com meu violão que realmente era o único apetrecho útil e legal que carregava.
Passava-se a hora da chegada, mas nada... já estava no ponto de encontro e a ligação não se completava, mas insiti e consegui finalmente contato, soube que estavam para chegar em breve. Aquele local de alimentação de péssima qualidade mas que mesmo assim incitava certo desejo por causa da propaganda, nem prestava atenção direito, só me desligava e pensava nos possíveis desfechos do dia e como era algo extremamente incerto, havia muito campo para a imaginação correr.
Sentado num banco, óculos escuro e camisa verde, violão em punho e sendo usado. Pessoas passavam, as vezes pensava que podiam ser elas, mas passavam reto. Até que de longe vi duas meninas, provavelmente eram elas, na verdade eu tinha uma certeza. Fingi que não vi, seria melhor me dar por desligado do mundo, certas pessoas acham isso legal, eu acho isso legal. Elas param, e falam oi... com certa apreensão, afinal creio que não havia uma total certeza de que era eu, mas eu sabia que eram elas. E podendo perceber melhor quem elas eram, atras dos óculos escuros que também vestiam. Uma roupa casual e bem legal.
Mesmo assim fiz um cumprimento bem tímido. Ficamos lá por pouco tempo, fomos então para um banco na praia. Daquela semana cansada, na verdade nem havia feito nada para ficar cansado além de dormir pouco. Mas sentia um sono, na verdade não chegava a ser sono, mas sonolência.
A conversa de verdade começa, trocando informações óbvias e fáceis, infelizmente não havia como entreter direito, não era engraçado, e só sabia canções simplificadas de músicas que nem eram tão apreciadas e famosas. Então, Help! I Need Somebody! Foi difícil me convencer a fazer isso, afinal minha voz é horrível e sou um pseudo-violinista. Isso é uma Loucura! Tchuruchuchuchu
Naquele Pseudo-Shopping, tomando um suco de maracujá, um dos melhores que ja tomei, simplesmente pela compania. As risadas rolavam soltas, nem importava o que as causava, mas eram muito boas. E naquela mesa de bar a céu aberto que estava fechado, mas não impedia que três adolescentes sentassem para apreciar sua bebida não-alcóolica que trazia muitas sensações.
Andando pela avenida daquela cidade que só me trazia boas lembranças e laços se fortaleciam. Paramos em um ponto, em um pico. Do lado da venda de jogos crackeados e óculos falsificados, ali sentamos e novamente conversando, tocando. Tocando flauta improvisando, uma familia de passagem elogiou. Mas aquele sono batia muito forte, e tão forte que me sentia entorpecido, preguiçoso e nem queria pensar, e aquele momento estava tão bom que parecia realmente um sonho, só podia ser um sonho. Mas estava com medo, que isso levasse a conclusões erradas, porque nem eu nunca havia visto tanto sono em uma só pessoa, talvez fosse apenas psicológico.
E o dia chegando ao fim, era hora de ir. No ponto de ônibus, na frente de uma feira de frutas, perto de uma escola e igreja. Tirando conclusões e soltando opiniões, que viriam a soar hipócritas depois, mesmo não sendo totalmente. Ah mas os ônibus passavam e a despedida era adiada, nunca era realmente aquele. E no final vocês tiveram que sair, um abraço triplo em conjunto. Tchau
Mas............. eu ainda pensava, dentro do ônibus. Será que era possível ter uma tarde tão perfeita como aquela? Ah e ja tinha acabado, mas parecia que não, e até hoje ainda parece. E pensava, ok... finalmente achei pessoas para me divertir de verdade, sem precisar fazer nada além de ter um violão e um espaço para se sentar. Porém estava temeroso para saber se elas haviam se divertido tanto quanto eu (Com certeza não), acho que não é possível, porque no final não deve ter sido muito especial, foi normal, mas foi bom e isso que é o mais legal e torna tardes normais em tardes especiais.
E sabia que enquanto pudesse ter tardes como aquelas, minhas semanas e meses seriam felizes e só disso precisaria para continuar vivendo bem. E o melhor, agora percebo o quão guardadas as lembranças desta tarde estão, e que agora só de me lembrar posso ficar feliz com a nostalgia, mas triste com a saudade.
"You'll be happy and wholesome again
When the city clears and sun ascends" M & S
Eu sei que epopéia é para POEMAS, mas eu precisava colocar esse título mesmo nesta prosa.
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