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sábado, 30 de julho de 2011

Voa tão rápido que acaba para recomeçar

        Mais um mês. Um mês inteiro. 30 dias (31 no caso). É passou muito rápido, este mês que não teve nada de especial. Certamente devo ter feito algo, escrevi uns textos (bem poucos, foi o mês que menos escrevi), aprendi algumas músicas, li algum livro. Encontrei pessoas novas, fiz coisas novas. Mas nada que tenha marcado ou deixado uma lembrança fixa e resistente, daquelas que nem os constantes impactos do tempo podem apagar totalmente.

        Todos os meses anteriores à este foram ótimos, todos tiveram suas coisas boas. Foi tudo piorando gradativamente, cada vez pior, no caso seria menos melhor, pois não é que fosse algo ruim, mas era cada vez menos bom. Enfim, em junho, ao contrário do normal, as coisas melhoraram e muito, posso compará-lo aos meses iniciais como Fevereiro, Março e etc. Abril, o mês fatídico, foi com certeza o pior de todos. Agora não estamos mais no meio do ano, não estamos mais no Middle of June. Estamos nos dirigindo para o final, é uma visão pessimista aliás, se fosse otimista serial algo como "Estamos no começo do fim". Aliás, não sei porque falo em nós se estou sozinho, claramente não sou só eu que estou nessa condição, mas só eu estou neste texto refletindo e só eu realmente me importo comigo de verdade, ou talvez nem eu.

        Agora este mês não teve nada de ruim, nada de muito bom. Foi neutro e inerte, não teve nada que eu quisesse perseguir, nenhuma meta, muito menos dias que eu queria que chegasse. Eles só passavam e passavam e eu não sabia o que fazer e por isso fazia qualquer coisa. Talvez a melhor coisa que tenha feito nesse mês foi assistir à One Tree Hill, para me desligar da minha vida, que aliás já estava desligada, o que eu realmente fiz foi só me ligar em outra coisa.

        Enfim, vou viver o último dia deste mês. Não promete nada, talvez seja um dia agradável e só. Depois um novo mês vem. Agosto. Eu não gosto nem dá sonoridade dele, muito menos de suas perspectivas. Eu só vejo as coisas piorando, é a inércia. Talvez alguma força, algum acontecimento me tire dessa inércia, mas enquanto isso, é apenas o fator x do acaso, e depender do acaso é não depender de nada. Minha vida não é ruim, é mais do que boa, eu não consigo aproveitar nem 50% de seu potencial, mas a verdade é que as coisas já foram melhores e como elas pioram, é impossível não se sentir mal. Eu tinha que viajar, sozinho como sempre.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pedantismo Agressivo

      Vou presumir que estavas totalmente em si, assim como eu. Não quero que vejas isso como ofensa nenhuma, mas apenas uma análise imparcial da situação que nos impomos, mais você do que eu, como sempre. Mas creio que como sempre alegarás que quem começa é o verdadeiro culpado, como se a reação desproporcional não fosse demérito nenhum e apenas uma consequência da minha infantilidade, pois então vamos aos fatos.

      Assumo minha parcela de culpa, apesar de que tal "culpa" nada deveria ter causado. Zoar é algo que você faz comigo diversas vezes, principalmente em frente a outras pessoas, se isto te irrita tanto então pare você de fazer isso primeiro. Além disso não tive intenção real, afinal você não se importa com as notas e etc, qual o problema de comentar zoando um FATO? Se eu estivesse mentindo, você que me corrija.

      Mas isso foi só o estopim, o conflito originou-se realmente quando você, com seu ar de superioridade tentou aleatoriamente atacar-me (?), falando como que ir bem (ou ao menos não ir mal) na escola era algo sem importância, e afinal o que eu sabia da vida. Repito aqui: Eu não sei nada. Então você com a arrogância no ápice simplesmente diz que tudo que eu sei da vida você ensinou. Meu caro, você me ensinou a pensar? Você chegou às conclusões para mim? Repito aqui novamente: Eu não quero desmerecer o que você fez por mim, nem ser hipócrita ao desdizer o que já disse antes, você mudou minha vida, suas ações mudaram as coisas, porém não venha achar que você fez tudo sozinho por mim, suas ações influenciaram mais indiretamente do que diretamente como você alegou.

      Então você novamente cospe o argumento falho: Você é uma criança! Otário, criança! E eu repito aqui DE NOVO: Sou mesmo, não há nada de errado nisso, aliás, o senhor Adulto que você é deveria ter aprendido que julgar as pessoas deliberadamente como fazes é algo quase criminoso, e medir a pessoa por suas ações e reações é apenas igualmente ofensivo. Não vou cometer o mesmo erro que você e te julgar. Mas digo que você deveria, ou não, repensar afinal o que ser Adulto significa, se é o que tanto almejas e quer tanto que os outros sejam. Estamos aqui para nos sentirmos bem, felizes, você talvez seja hedonista e pense que a felicidade é obtida pelo prazer, novamente, não vou julgá-lo por isso, mas não tente impor ou incompreender visões diferentes, mais infantis, simples e ingênuas, mas igualmente importantes e válidas.

      E então o pressuposto de que o trabalho trás a dignidade. Que ironia, estudar não era sem importância? Afinal, o estudo talvez seja o trabalho que você deveria ter feito e/ou estar fazendo. Veja bem, passar pizzas não trás muito mais do que os simples conhecimentos rotineiros da tarefa e dinheiro, simplesmente é um contato precoce com a relação produção = dinheiro, um contato que todos teremos um dia. E afinal, porque precisa ser desta forma como você propõe? Trabalhando numa loja, restaurante, pizzaria, escritório? Há outras formas. Não era você que dizia que o dinheiro é apenas papel verde? Porque gastas seu tempo e suor atrás dele? E ainda se vangloria disto, menosprezando os outros.

      Eu posso não ter trabalhado formalmente como você, e aliás, dou graças a Deus por não, afinal é uma experiência desnecessária e talvez até prejudicial se feita desta forma. Eu trabalhei de forma esparsa e informal, ganhei dinheiro dos meus pais, apesar de ser bem desnecessário afinal eles já me davam, porém eu já ajudei demais, em épocas de aperto eu trabalhava (ajudava) sem remuneração apenas para ajudar a manter a empresa funcionando, e você me diz que eu ganho tudo na mão. Mas sabe porque eles me davam dinheiro quando podiam? É, talvez você não saiba, mas era porque eu estudava, eu ia bem na escola, eu talvez não pegasse os livros e ficasse tardes estudando, mas aprendia e isso (na concepção deles) merecia remuneração, e eu realmente não vejo nada de errado, afinal nosso trabalho é estudar.

      Você talvez seja incapaz de entender, afinal há uma névoa de anarquismo e procrastinação impedindo, de que apesar dos estudos serem algo desnecessário e fútil a longo prazo, são cruciais a curto prazo para MEUS planos, que são completamente diferentes dos seus. E então você me diz que passar pizzas é mais importante que aprender Progressão Geométrica? Digo que os dois são inúteis a longo-prazo, mas talvez a curto sejam úteis, depende do que você almeja.

      Por fim só quero dizer que você tem andado irritadiço e agindo de forma estranha. Você mudou desde quando eu te conheci, ficou mais pessimista do que já era, mais rancoroso do que já era, agressivo, hipócrita e irônico. Eu sei que também mudei, pra pior em alguns casos. Mas afinal ainda gosto de ti apesar dos infortúnios que você me impõe, pelas birras que faz em alternativa da paz e sossego, por que talvez para você, viver em constante estado de harmonia seja demais surreal, porque tudo deveria estar mal, e mesmo quando não, sempre encontrarás formas de torná-lo ou vê-lo assim.

sábado, 9 de julho de 2011

Afastam

        Já aconteceu mais de uma vez. Porque as pessoas se aproximam e depois se afastam? Sei que nada é para sempre, mas tão rápido assim? O que eu faço afinal, sou eu mesmo e este eu, que como todo eu precisa de um tempo para ir sendo descoberto, é enfim descoberto? Será que minhas primeiras-impressões são melhores do que as reais impressões?

        Não sei o que é, mas a aproximação e consequente afastamento faz eu sentir falta da época da proximidade, de quando não era só eu que tinha que chamar, de quando não só eu fazia um mínimo esforço para se comunicar, de quando podia se combinar algo com mais certeza, de quando podia contar com a companhia. Mas sou excluído, trocado, esquecido... afastado.

        Eu só queria que as pessoas não se afastassem sem dizer as causas, porque eu não quero que elas se afastem, mas se elas quiserem, ao menos quero saber o porquê para não errar novamente.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Não Ter o que Contar

E no futuro distantemente próximo...

      Sabe que quando eu era jovem, lá pelos meus 15 e 16 anos, eu não fazia nada? Pois é pessoalzinho, eu simplesmente era um cara que andava com um violão na mão 80% do tempo, mas não sabia tocar ou cantar bem. Não estudava muito, mas ia relativamente bem na escola, escrevia poesias e prosas (ruins) e mantinha um péssimo blog (não continha nada de útil ou agradável) na internet, que naquela época estava infestada de redes sociais e todos usavam só porque era novidade.

      As pessoas normalmente achavam que eu usava drogas, em especial a maconha, que diferentemente de hoje em dia, era discriminada pelas pessoas e proibida pelo Estado. Eu nunca entendi muito bem porque as pessoas achavam isso de mim, não entendia qual era o problema de rir um pouco mais se isto faz tão bem, ou se falar lentamente (digo, mais pausadamente e com entonação mais suave) não é melhor para pensar no que irá dizer,ou que tocar músicas não eram a melhor coisa a fazer seja qual fosse a hora, e ter sono não pode ser algo normal, fruto de ir dormir tarde e acordar cedo e viajar 250km toda semana.

      Ter cabelo grande era fora de moda, mas mesmo assim eu tinha, não era muito grande mas também não era curto, eu queria que ele fosse mais bagunçado e duro, mas fui abençoado (segundo alguns, para mim era mais uma maldição) com um cabelo liso. Minhas roupas, oras... eu sempre gostei de xadrez e coisas assim, mas quando comecei a usar realmente, isso virou moda, modinha, e até me sentia meio mal de estar na moda, mas isso não importa porque era legal se sentir meio indie-folk, apesar de não ter nenhum estilo.

      Eu lia livros, de tempos em tempos, nunca conseguia pegar um bom ritmo constante de leitura, sempre variava de dias à semanas e à meses para terminar um livro, eu desejava ter lido mais livros. Mas eu escrevia bastante (Não que a quantidade tenha melhorado a qualidade, porque eram idiotas), tinha um blog de política em que de tempos em tempos, bem raramente, eu escrevia alguma coisa que estava acontecendo, nada que mudasse algo ou fizesse a diferença, apenas um textinho bobo analisando alguma situação escrota da política nacional, que hoje graças a Deus mudou.

      Mas esse é o resumo, anos nesse estado catatônico de indiferença. Às vezes viajava com a escola ou algo assim, nada que se sobressaísse ou fosse fora do normal, era bom de viver, mas não é bom de contar, não vivi tudo isso para contar, não tenho o que contar na verdade. Não tenho lembranças que parecem mais estorinhas de contos de fadas ou então fábulas vividas que sempre contém uma "moral da história" que pode ser transmitida para os outros (especialmente filhos e netos), é só isso, uma vida normal, tediosa e nada especial, redundante e parada, mas que até que foi legal de ser vivida e sinto muita saudade daqueles tempos.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Renovação (06/06)

       Hoje eu acordei disposto, disposto a fazer o mesmo de sempre: nada. Mas mesmo assim eu estava disposto, fiz tudo que tinha que fazer e até foi de certa forma prazeroso e divertido. Eu sabia que esse dia seria um pouco diferente, mas não estava nem um pouco animado, simplesmente continuei minha rotina.

       Me atrasei, esqueci uma coisa, tive que mandar trazerem, várias coisas deram errado, nem tanto, só um pouco, mas no final não estavam dando totalmente certo como costumam, e talvez por isso tenha sido um dia diferente e bom.

       Li várias páginas dentro do ônibus, mas resolvi deixar o capítulo final para ler outra hora. Então estava com muito sono, não dormi nada de manhã, e a noite de ontem resolvi escutar Jack Johnson (Umas 15 Músicas dele) até que o som entrasse dentro dos meus sonhos e eu adormecesse, deu certo. Então dentro do ônibus, após ler e se cansar, resolvi dormir colocando para escutar Linkin Park, o último albúm, que eu sinceramente amei (Todos vocês que me odeiem de agora em diante).

       Só sei que fiquei naquele estado de dormindo enquanto ainda escutava a música e entendia a letra, então comecei a sonhar, sonhei com cidades, pessoas que gosto, mas não me lembro o que aconteceu no sonho, só sei que foi muito interessante, e quando eu acordei, tudo estava desbotado, foi ganhando cor, até que se renovou em uma cor vívida, mesma coisa com os sentimentos e pensamentos.

domingo, 5 de junho de 2011

Encontrando um Amigo

         Eu estava solitário, totalmente. Ninguém para dividir, dar ou trocar nada. E assim ia, se arrastando. Eu não queria que fosse assim, mas como poderia ser diferente? Nem dependia de mim. E das piadinhas na sala, dos blogs engraçados, das músicas toscas, das manias idiotas, das pessoas idiotas em volta, de tudo isso eu tirava minha vivência, era muito idiota, era maçante saber que estava desperdiçando de tal forma.

         Então fazia as coisas que "gostava", comecei a fazer aulas de violão gratuitas na escola, era legal e simples, muito fácil, nem ensinava nada difícil ou bom. Lá pela 3ª ou 4ª aula eu acho, duas pessoas entraram na classe, eles começaram ali e eles pareciam extremamente legais, estavam na classe seguinte, eram um ano mais velhos. Então queria conversar com eles, saber mais sobre eles, porque eu estava numa missão, numa busca por um amigo. Era um objetivo oculto mas que sempre estava lá, e ele apareceu novamente como meta principal a partir desse dia.

         Eles eram estranhos e diferentes, não vou mentir que tinha preconceito com eles... Andavam sempre juntos em 2, e ficavam escutando música e conversando. Ele tinha calça muito colada, eu achava aquilo ridículo e estranho demais, todo mundo chamava eles de homossexuais e eu passei até a concordar (mas sem falar nada).

         Eles trocaram o horário do curso de violão e então passaram a fazer a aula mais cedo, logo na semana seguinte eu não vi eles na aula. Fiquei meio triste, mas ok... é assim mesmo, fazer o que. Então na semana seguinte eu estou entrando na escola para ir fazer a aula e me deparo com um deles, o de calças coladas, e vejo ele sozinho ali num banco tocando (tentando tocar) violão. Paro, penso por uns 10 segundos, e resolvo ir até lá (2 metros de distância apenas) e pergunto que horas são. Eu já sabia que horas eram, ou ao menos tinha uma ideia, mas mesmo assim acho que foi a melhor coisa que eu já fiz. Ele me respondeu, ainda tinha vários minutos antes da aula.

         Então eu me sentei do lado dele e tentei puxar conversa, sobre o que ele ouvia e etc. Ele me respondeu que escutava rock psiscodélico, eu não fazia muita ideia do que se tratava. Então quando foi minha vez de responder o que eu costumava ouvir, eu pensei um pouco e pela primeira vez iria falar a verdade, porque havia alguma chance de que ele conhecesse e gostasse. Eu gostava naquela época de Rock Progressivo e Folk, tipo Jethro Tull, Gentle Giant, Supertramp e etc... e finalmente falei isso para alguém que conhecia essas bandas, e que de certa forma gostava um pouco.

         Que estranho, existiam pessoas "parecidas" comigo, eu nunca tinha encontrado alguém assim, era muito diferente, eu sempre vivi nesse mundo idiota de cidade pequena mainstream. Então chega o amigo dele e outros dois caras que eram da sala dele, traziam uma coca-cola... Me ofereceram, a gente bebeu... alguns comentários sobre estar financiando guerras e o capitalismo, algo que nunca havia escutado alguém dizer enquanto tomava coca-cola, mas que eu concordava.

         Então os outros dois amigos sairam e ficou só eu e eles, ficamos conversando... Papo-Cabeça, eu nunca havia tido um, por isso mesmo acho que exagerei, ficamos falando sobre Capitalismo, Socialismo, Guerra do Iraque, Mainstream, Underground, Filosofia, Escola, Vida, etc.... Isso tudo em 20 minutos, e eles queriam me mostrar uma banda que eles tinham descoberto e segundo eles era muito boa, se chamava MGMT, que nome estranho para uma banda eu pensei, mas era legal. Eu tinha acabado de ganhar o iPod num concurso, então usamos ele para achar o video da banda no youtube, eles queriam me mostrar Time to Pretend, só que não acharam, acabaram mostrando Love Always Remains. Eu nem gostei tanto assim, era meio chatinho, eu não estava acostumado a aquilo, e a letra, eu nem sabia da letra, se soubesse teria sido diferente.

         Enfim, já estava na hora da minha aula, fomos caminhando até a saída da escola enquanto conversávamos, trocamos elogios em relação aos conhecimentos do mundo, e como éramos pessoas diferentes das outras dessa escola de merda. Combinamos de conversar mais depois, foram embora e eu fui para minha aula. A partir dali começamos a conversar e várias coisas aconteceram, ganhei um amigo.

O Ator da Vida Real

      Que idiota, pensar que só porque nos filmes se faz assim... Os filmes deveriam retratar a realidade só que eu só vejo eles retratando eles mesmos, então filmes são filmes e não reproduções da realidade, como deveriam. Se fosse fazer um filme sobre minha vida (ninguém ia assistir) ele seria muito diferente, os diálogos seriam diferentes, e o principal ia se perder, que eram as sensações, e esse é o porque dos filmes não retratarem a realidade, porque eles não conseguem.

      Então como um idiota pensei, sempre fazem isso, talvez seja assim mesmo. Resolvi fazer da minha vida um filme, o que é um erro. Fui num banco sozinho e enquanto escutava Joy Division (Álbum Closer), dei aqueles goles amargos de merda, que merda. Nada, e eu escutei Shake me Down do Cage the Elephant, e continuava nada... terminei, joguei a garrafa no lixo e coloquei I Think I Like U 2 do Jamaica, coloquei pra repetir... andei pela praia inteira, devo ter escutado umas 8 vezes seguidas, ou mais... Então ok, subi para a avenida e andei até um mercado e comprei uma soda pra tirar aquele gosto horrível da boca. E AINDA NADA, que merda, além do gosto horrível.

      Ainda escutando Jamaica (A mesma Música), já devia ter escutado mais de 13 vezes, fui ali aonde meus "amigos" estavam, e eles estavam felizes e rindo... Eu não, só estava puto da cara com o que eu tinha feito, com a merda que eu pensei que seria "legal". Então sei lá, só lembro fui para um canto chorar, chorei bastante acho eu, fiquei falando comigo mesmo e chorando e me arrependendo, sobre várias coisas, de certa forma foi bom, foi a melhor parte. Voltei e comecei a tocar música, mas eu nem conseguia direito, eu esquecia a letra e tocava errado, simplesmente me sentia frustrado.

      Então as coisas começaram a acontecer mas eu nem sabia, foram tomar um açaí e eu não consegui, fiquei praticamente dormindo tudo, e então quando voltei tinha sido abandonado e tive que ir para a casa do meu amigo, já era de noite e tarde e não tinha acontecido nada de bom nesse dia, era um dia muito bonito aliás, que desperdício. Podia ter feito qualquer coisa.

      Mas o que eu poderia dizer, seria diferente? Eu achei que sim, mas me enganei. Ao menos agora sei. Que a depressão é algo pra se lidar de frente e saber usá-la, não deixar que ela te use de maneira nenhuma, que ela te use para que você faça mal a si mesmo em vários sentidos e graus.

      Não que seja totalmente ruim, talvez foi abuso ou sei lá, eu nunca gostei disso e não vou passar a gostar agora, principalmente agora, vou ficar na minha e fazer o que eu sempre faço, que é muito melhor. Me demito desse filme besta.

domingo, 8 de maio de 2011

No Ápice Daquilo

     No momento não me dei conta, mas tinha finalmente amigas de verdade, pela primeira vez. Agora vejo que na verdade elas me chamavam, e normalmente é o contrário. Então finalmente alguém queria falar comigo, e as conversas eram simplesmente fantásticas, esclarecedoras e surreais... muito melhores do que a simples troca de futilidades que estava acostumado a fazer mas que nunca gostei.

     E toda semana esperava justamente pelo dia em que estaríamos juntos, para ter mais uma tarde perfeita. Nos pequenos atos de altruísmo, ao dar uma bola para uma criança. Escutar música ao vivo de amigos numa vibe muito legal, tocar flauta e viajar na melodia e música, tudo isso apenas com a felicidade, sem ter nada mais, afinal não precisava e nem precisa-se.

     E mesmo em um hotel, com tudo para se fazer e nada para reclamar. Me divertia mas sempre sentia que faltava algo, alguém. Porque apesar das pranchas, das dunas, dos shows de rock, dos shows de MPB, do pub com música ao vivo e a simpatia que criei com o músico, tocando até no violão dele stairway to heaven, mesmo assim... queria estar com vocês lá ou em qualquer lugar. Mesmo (como ja disse) dentro de uma sala de aço frio. Porque o que importava não era o local, mas a companhia.

     E se uma tarde dessas acontecia, ficava bem a semana toda, uma mistura de calma feliz e simpática, não havia maneira de me aborrecer com nada. E as conversas continuavam e com elas aprendia tanto, lições que vou levar para a vida. E além do mais, aprendi a fazer textos como estes, aprendi pois nunca havia tentado de verdade, porque nunca precisei, mas ao ler textos parecidos, e ser incentivado, percebi que seria bom fazer.

     Encontrando pessoas na rua, que escutavam mas não gostavam. E mais e mais risadas, mas não eram risadas vazias, eram risadas vivídas e sinceras. Ao menos as minhas eram.

     E via que o meu gosto musical se expandiu muito rapidamente, para áreas que nunca havia explorado porque não conhecia, então as portas se abriram quando tentava ver o que vocês escutavam e percebi que o que vocês escutavam era muito bom, e passei a escutar também, junto o que ja escutava.

     E foi assim, por algumas semanas, e eu desejava que continuasse para sempre, e parecia que iria, realmente parecia!! Por que afinal, não havia nada para estragar isso, ao menos da minha parte, pensava eu, mas foi puro achismo.

     Mas............ oh, a decadência surgia logo a frente, ó decadência, antiga inimiga de todo ápice.

"Don’t leave me alone at this time,
For I am afraid of what I will discover inside" M & S

Epopéia do Começo dos Bons Tempos

     Finalmente indo ver do que se tratava. Estava extremamente ansioso e eufórico, tinha ótimas expectativas pelo que havia conversado pelo Twitter e MSN, a troca de ideias e semelhanças, tudo bem diferente do que normalmente acontecia.

     Desde de dentro daquele onibus que tratava com desprezo pela relativa falta de conforto e pela longa e desnecessária rota, eu já estava feliz como consequência da ansiedade, uma ansiedade otimista e isso transformou a viagem em um calmo e feliz passeio. Fui mais cedo do que devia, e por isso tive que esperar bastante. A única coisa que podia fazer era escutar música ou tocar música, com meu violão que realmente era o único apetrecho útil e legal que carregava.

     Passava-se a hora da chegada, mas nada... já estava no ponto de encontro e a ligação não se completava, mas insiti e consegui finalmente contato, soube que estavam para chegar em breve. Aquele local de alimentação de péssima qualidade mas que mesmo assim incitava certo desejo por causa da propaganda, nem prestava atenção direito, só me desligava e pensava nos possíveis desfechos do dia e como era algo extremamente incerto, havia muito campo para a imaginação correr.

     Sentado num banco, óculos escuro e camisa verde, violão em punho e sendo usado. Pessoas passavam, as vezes pensava que podiam ser elas, mas passavam reto. Até que de longe vi duas meninas, provavelmente eram elas, na verdade eu tinha uma certeza. Fingi que não vi, seria melhor me dar por desligado do mundo, certas pessoas acham isso legal, eu acho isso legal. Elas param, e falam oi... com certa apreensão, afinal creio que não havia uma total certeza de que era eu, mas eu sabia que eram elas. E podendo perceber melhor quem elas eram, atras dos óculos escuros que também vestiam. Uma roupa casual e bem legal.

     Mesmo assim fiz um cumprimento bem tímido. Ficamos lá por pouco tempo, fomos então para um banco na praia. Daquela semana cansada, na verdade nem havia feito nada para ficar cansado além de dormir pouco. Mas sentia um sono, na verdade não chegava a ser sono, mas sonolência.

     A conversa de verdade começa, trocando informações óbvias e fáceis, infelizmente não havia como entreter direito, não era engraçado, e só sabia canções simplificadas de músicas que nem eram tão apreciadas e famosas. Então, Help! I Need Somebody! Foi difícil me convencer a fazer isso, afinal minha voz é horrível e sou um pseudo-violinista. Isso é uma Loucura! Tchuruchuchuchu

     Naquele Pseudo-Shopping, tomando um suco de maracujá, um dos melhores que ja tomei, simplesmente pela compania. As risadas rolavam soltas, nem importava o que as causava, mas eram muito boas. E naquela mesa de bar a céu aberto que estava fechado, mas não impedia que três adolescentes sentassem para apreciar sua bebida não-alcóolica que trazia muitas sensações.

     Andando pela avenida daquela cidade que só me trazia boas lembranças e laços se fortaleciam. Paramos em um ponto, em um pico. Do lado da venda de jogos crackeados e óculos falsificados, ali sentamos e novamente conversando, tocando. Tocando flauta improvisando, uma familia de passagem elogiou. Mas aquele sono batia muito forte, e tão forte que me sentia entorpecido, preguiçoso e nem queria pensar, e aquele momento estava tão bom que parecia realmente um sonho, só podia ser um sonho. Mas estava com medo, que isso levasse a conclusões erradas, porque nem eu nunca havia visto tanto sono em uma só pessoa, talvez fosse apenas psicológico.

     E o dia chegando ao fim, era hora de ir. No ponto de ônibus, na frente de uma feira de frutas, perto de uma escola e igreja. Tirando conclusões e soltando opiniões, que viriam a soar hipócritas depois, mesmo não sendo totalmente. Ah mas os ônibus passavam e a despedida era adiada, nunca era realmente aquele. E no final vocês tiveram que sair, um abraço triplo em conjunto. Tchau

     Mas............. eu ainda pensava, dentro do ônibus. Será que era possível ter uma tarde tão perfeita como aquela? Ah e ja tinha acabado, mas parecia que não, e até hoje ainda parece. E pensava, ok... finalmente achei pessoas para me divertir de verdade, sem precisar fazer nada além de ter um violão e um espaço para se sentar. Porém estava temeroso para saber se elas haviam se divertido tanto quanto eu (Com certeza não), acho que não é possível, porque no final não deve ter sido muito especial, foi normal, mas foi bom e isso que é o mais legal e torna tardes normais em tardes especiais.

     E sabia que enquanto pudesse ter tardes como aquelas, minhas semanas e meses seriam felizes e só disso precisaria para continuar vivendo bem. E o melhor, agora percebo o quão guardadas as lembranças desta tarde estão, e que agora só de me lembrar posso ficar feliz com a nostalgia, mas triste com a saudade.

"You'll be happy and wholesome again
When the city clears and sun ascends" M & S


Eu sei que epopéia é para POEMAS, mas eu precisava colocar esse título mesmo nesta prosa.