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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Objetos Invisíveis Quebrados

       Estragou algo que não existia, lamentações, mas porque afinal? Se você criou, se não existe, não há porque estragar, não há muito menos porque se preocupar. Se quebrou e você ainda se importa, reconstrua, ou melhor, volte para quando não era assim, ao menos com objetos imaginários isso é possível.

Chaves sem Fechadura

       Continuamente procurando abrir as portas, encontrar algo dentro de outra coisa. Sentido, nem tudo tem, mas todos acham que está lá, e vão procurar, vão achar poeira, não vão achar nada. Existem tantas chaves que efetivamente não tem nada para abrir, não vão levar a lugar nenhum, são inúteis. Enquanto outras fechaduras nem chaves sequer tem, são igualmente inúteis. A curiosidade pode te guiar para esse tipo de porta, esse tipo de chave, mas o bom senso deve te afastar delas, só perderá seu tempo, só decepcionar-se-á.

Os Pôsters

       Você olha para os pôsters. Todos cintilando na parede, lisos e coloridos. Imaginando e desejando, porque não posso ser como eles? Apenas imagens, mas dentro da cabeça de cada um são metas, alguns se importam mais, outros menos, alguns sequer se importam. Porém alguém sempre pendura algo novo lá, as vezes sobre um antigo. E aqueles que são pôsters vivos, andando por aí com a pompa de um ideal que foi alcançado, ora, ideal é relativo, para eles não. Narcisismo fascista, narcisismo suicida, narcisismo fútil.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Estaca 0

     Que número feio, 0, não é nada. É melhor do que -1, mas prefiro passar por épocas negativas do que viver na constante segurança neutra do 0. Mas matemática de nada serve se não for o símbolo que é, e mesmo na vida pode usar os números como representações, o 0 é o melhor para o momento.

     Porque o 0 contém nele essa inexpressibilidade e a frieza que toma conta. O calculismo incitado pela falta de tudo, pelo exaltamento do nada, haha o "nada" sendo ressaltado, que ironia. Não digo que é ruim até, porque o 0 precisa de algo, nem que seja uma distração,  0,000000000000001. Uma risada, uma conversa, uma mensagem, um texto, uma boa notícia, um violão, um bom livro, uma companhia agradável, uma tarde, um filme, cobertas, uma viajem, coisas que distraem em geral, que fazem se esquecer do 0 ou pelo menos transformam ele em alguma coisa, mesmo que muito pouco no momento.

     Certas pessoas tem potenciais gigantescos com seus 0's, 0's que contém a possibilidade de um 9999, mas mesmo que sejam possibilidades pequenas, daquelas menores de 1%, essas pessoas só podem ficar mais angustiadas, porque a indecisão traz uma ansiedade que se converte hora em angústia e hora em esperança, depende do "mismo" (oti, pessi) da pessoa.

     E o pior então, quem consegue sair do 0, sente que está indo bem por algum tempo e depois volta, volta pra essa anulação sentimental, essa ausência de perspectiva. Mas voltará sempre? O recomeço é rotina? Prefiro acreditar que não enquanto ainda posso. Estaca 0, marcada funda no coração.


Graças a Deus as provas de matemática passaram

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Isotermia Ambiente-Interior

Nada impede que o frio se mantenha
Corrói a minha alma como gangrena
E porque tinha que ser justamente agora
No inverno do inferno glacial que aflora

Respiração pensante que se torna ofegante
De perceber que o rumo é demasiado desgastante
Mas que rumo é esse que não leva a nenhum lugar
E a caminhada continua forçada sem cessar

Talvez alguém, Talvez um Sol, Talvez Anzol
Pra tentar pescar novidades
Talvez alguém, Talvez um Sol, Talvez Leviandades

Acho que é assim que deve ser
Talvez alguém, Talvez um Sol, Talvez Viver
Ou melhor, resistir com distrações

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Aos Poucos

Vai passando pela ampulheta do tempo
É um funil tão estreito que tudo em cima
Vai passando aos poucos quase nunca
E aos poucos vai e aos poucos vai

Transforme estes grãos no quer que seja
E é assim que acontece com quase tudo
A ampulheta é o tempo que contém isso
O ponto x é justamente o presente

Embaixo conserva-se o passado
E em cima o futuro que não há como ver
Mas você sente o peso diminuindo

E pode olhar pra baixo e ver tudo que ficou
Os grãos continuam passando sem cessar
Apesar de que só possa vê-los acabar aos poucos

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Urubus Humanos

       Algumas pessoas simplesmente te rodeiam e te observam apenas para a oportunidade de comerem a tua carniça, depois de te arrancarem tudo que tu tinhas de bom. Isso em beneficio próprio, as vezes só por algumas risadinhas.

       Falsas companhias que só esperam a sua queda e até participam dela, só de tê-los a sua volta, te pressionando e te sufocando contra si mesmo, terríveis Urubus Humanos.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O Rio

Sempre havia procurado uma metáfora ou analogia para esta situação, no meio de uma conversa ontem eu consegui fazê-la:

       Ás vezes o curso do rio é tão forte e contínuo que você se esquece que está indo para uma cachoeira, por isso... encoste a canoa, veja para aonde está indo e veja se você está mesmo no rumo que quer, ou se há um desfiladeiro logo a frente.

Nada demais, mas para mim é muito importante (faz sentido e me identifico), agradeço a mim mesmo.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Quando a Casa Cai

Chamas ascenderam depois de acesas
E subiram muito alto, infiltrando tudo
Como a água que infecta a estrutura
Negra e forte fumaça do anúncio

Simplesmente moradia das ideias
Ideais e atores do teatro agradável
O show acabou, queimou, caiu
Bem que tentaram, mas descobri

E das cinzas e dos escombros
Daquilo que restou sem utilidade
Nada pode ser aproveitado

Na próxima casa que constrói-se
Que seja de boa fundação
De verdades e não mentiras

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Tic-Tac, Bata-Bate, Vira-Descobre...

      Ponteiros, olho para cima, ainda está lá o glorioso sol, que brilha e ilumina de forma indiferente mas especial. Muito bem sol, obrigado, você não faz isso por mim nem para mim, mas no final me afeta, tenho que agradecer, certo??? Não seu louco, não têm! Ele não vai receber seu obrigado, ele não vai se sentir reconhecido pelo que fez, ele faz isso apenas por que é assim, suas boas ações são consequências do seu ser, apenas isso.

      Então ele se põe, sinto sua falta, eu sei que preciso dormir, o escuro ajuda nisso, mas eu quero o dia de novo, eu durmo de dia, é igual, é até melhor. Tic-Tac, de manhã again. Bata-Bate, pronto para o dia. Vira-Descobre, não quero mais.

Na Praia da Vida

      Vai para frente, as ondas de prazer... nunca atingem a felicidade de verdade, só vejo aproximar, o pico de prazer e então pronto, retorna, apenas prazer, viver de prazer, mas nada de felicidade, que coisa idiota, e pensar que a maioria faz isso. Vagar sozinho por vários anos, na mente, então voltar atrás e ver que seus amigos não querem saber das mesmas coisas que você, volta a andar sozinho de verdade, indo embora, mas alguém se importa contigo, e isso é muito bom, se esforça para lhe acolher.

      E mesmo que talvez não seja perfeito, nunca é, é assim que é. E ja é bom, é muito bom, ter um amigo. Mas não é o bastante, satisfaz mas não agrada. É aí que o amor entra, pra preencher o vazio, substituir e compartilhar tudo, e assim talvez possa dividir direito as coisas, cuidar do outro mais do que si mesmo, é assim que é e deve ser.

domingo, 29 de maio de 2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Céu Azul da Technicolor

Desbotado, mas um azul bem aplicado
Forte demais, não expressa a real calma
Que o céu transmite, por isso prefiro ao vivo

Esse filtro de Technicolor tira a graça
Mas mesmo assim na comodidade de casa
Vejo o que quiser colorido nos anos 70

Aonde não posso estar, aquilo que não posso ver
É bem útil, mas não é bom realmente
Por isso prefiro ver ao vivo

O Lança-Mísseis

Sempre consigo ver quem apertou o gatilho
Mas só percebo realmente quando ele chega
Explode em cima de mim no meio do caminho
Propulsão inflamável que me persegue e pega

E mesmo que o soldado não queira, ele sabe
Porque quando aquele míssil chegar, já era
Das reações que poderia ter nada mais cabe
Talvez a pior parte seja exatamente a espera

Então a explosão de faíscas cintilantes
Cegam e destroem tudo em minha volta
Todas as aspirações, previsões decentes

Tornam-se enfim inviáveis
Não é sua culpa soldado
Muito menos do lança-mísseis

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Envolventes Grades

Só porque é grande e confortável
As grades não incomodarão
Mas agora me sinto exposto
E saber que sempre fui inimitável
Controlado e limitado, não?

E a ferrugem que minhas mãos raspam
Das grades de ferro que me prendem
Dentro deste cubículo que todos vivem
E eu querendo me libertar, choram
Todos aqueles que não conseguem ver

E aonde quer que eu vá, no horizonte grades
Para me lembrar que não posso simplesmente voar
Para abrir a fechadura não bastam apenas verdades
E eu sei que a chave está a meu alcance ainda
Alguém para me ajudar a contornar

Só queria a liberdade pois as grades me aflingem
E mesmo que não venha a usar o que talvez conquiste
Ficarei feliz e em paz, sem as grades para bloquear
As visões do horizonte que se tornam possibilidades
E o frio metal que costuma me aprisionar

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Galopes Possantes

Me trazes tudo que vem a compor meu ser
Mesmo sabendo que nunca poderei te domar
És possante e imbatível, não há como te deter
Tenho esperanças que um dia vou te entender
Das trilhas tortuosas que insistes em nos levar

Une-te ao espaço e defines a realidade
Levas para longe os ferimentos do acaso
Mas se perdes em meio a tanta futilidade
Insistindo em não inibir toda a vaidade
Desvalorizado a cada galope, a cada passo

Por isso quero te admirar, glorioso
Me fazes esquecer minhas conquistas
Porém voltas a tempo de lembranças
E mesmo que ignore, ainda me levas
Pelos caminhos que sua razão permite

Destruíste a eternidade com seus coices
Entretanto prega a liberdade da mudança
E com isso permeia nos seres esperança
Ou apenas indica para todos a decadência
Coisas que se destroem e morrem pela foice

É a solução de muitos problemas
Mas também a causa da maioria
Continue a galopar perene
Galopadas que me desvencilham
Cada vez mais...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cabeça Pensante da Manhã Cambaleante

Mal me levantei para poder lembrar
Como o mundo é um lugar estranho de morar
Mas perfeito para pensar e refletir
Buscar soluções que não vou aplicar

Ciclando infinitamente por alguns minutos
Pensamentos, frases e diminutos
E um livro escrevo na mente
Se perde no próximo instante

Caio dentro do buraco negro
Mentalidade embriagada
Manhã cambaleante

Saio de casa
Para a rotina de mais um dia
Não vou usar muito a cabeça pensante

Denso Azul no Pequeno Lago de Grandes Peixes

Clara visibilidade tenta transpassar pela densidade
Que se esvaece perante forte luminosidade
Sem deixar prever tal espontaneidade
Redenção na pobre verdade

Mas neste pequeno e imundo lago
Quem poderia imaginá-lo
Cheio de grandes peixes sem espaço vago
Conservam-se abaixo da neblina de mago

E esses peixes que nadam livres e amontoados
Um faminto pescador se sentiria tentado
A transpassar a lança no animal desalmado

Do pré-julgamento de um pescador ético
De que o peixe é alimento benéfico
Todo direito sobre a vida como um médico

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Política sentimental

Envie-me suas boas ideias
Mas não sou eu quem as analisará
Porque não sou eu quem decido
Que sentimentos sentirei

E do embate do amor e do ódio
Da discórdia da angústia e alívio
A votação entre a felicidade e tristeza
Delimitando a paciência e ansiedade

Espero que decidam para meu melhor
E que não se corrompam simplesmente
Ainda não vi quem ganha sofrendo

Mas sempre será assim
De Altos e Baixos
Na política dos sentimentos

Meu pequeno mundo

Cheio dos acontecimentos internos
Alheio às tramas dos outros
Vazio da compreensão do universo
Fechado como em um pequeno mundo

Auto-suficiente mas insustentável
À deriva no universo, vagando
Colidindo ou fundindo com mundos
Mas sempre vou ter e saber do meu

Vistoso e brilhante para mim
Espero reconhecimento falso
Só para torná-lo importante

No final não posso me desvencilhar
E esse vai ser sempre meu mundo
Pequeno, grande ou seu