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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Isotermia Ambiente-Interior

Nada impede que o frio se mantenha
Corrói a minha alma como gangrena
E porque tinha que ser justamente agora
No inverno do inferno glacial que aflora

Respiração pensante que se torna ofegante
De perceber que o rumo é demasiado desgastante
Mas que rumo é esse que não leva a nenhum lugar
E a caminhada continua forçada sem cessar

Talvez alguém, Talvez um Sol, Talvez Anzol
Pra tentar pescar novidades
Talvez alguém, Talvez um Sol, Talvez Leviandades

Acho que é assim que deve ser
Talvez alguém, Talvez um Sol, Talvez Viver
Ou melhor, resistir com distrações

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Aos Poucos

Vai passando pela ampulheta do tempo
É um funil tão estreito que tudo em cima
Vai passando aos poucos quase nunca
E aos poucos vai e aos poucos vai

Transforme estes grãos no quer que seja
E é assim que acontece com quase tudo
A ampulheta é o tempo que contém isso
O ponto x é justamente o presente

Embaixo conserva-se o passado
E em cima o futuro que não há como ver
Mas você sente o peso diminuindo

E pode olhar pra baixo e ver tudo que ficou
Os grãos continuam passando sem cessar
Apesar de que só possa vê-los acabar aos poucos

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Silhueta da Depressão

Disforme, amorfa e sem sentido
Impregna os pensamentos sem cessar
Até que se coloque para fora, continuando lá
Mas mesmo assim você ainda vê

O preto vazio da silhueta da depressão
Continua todo tempo encarando e afastando
Tudo que de bom acontece, não reconhece
Porque a depressão toma lugar nesse caso

Afasta, não preciso olhar, que idiota
Por ficar por perto se não quero
Sai fora, já não preciso mais disso

Desses seus acordos indecentes
E constantes avaliações medíocres
Depressão é vazio e intrigante, quase inevitável

Quando a Casa Cai

Chamas ascenderam depois de acesas
E subiram muito alto, infiltrando tudo
Como a água que infecta a estrutura
Negra e forte fumaça do anúncio

Simplesmente moradia das ideias
Ideais e atores do teatro agradável
O show acabou, queimou, caiu
Bem que tentaram, mas descobri

E das cinzas e dos escombros
Daquilo que restou sem utilidade
Nada pode ser aproveitado

Na próxima casa que constrói-se
Que seja de boa fundação
De verdades e não mentiras

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Lança-Mísseis

Sempre consigo ver quem apertou o gatilho
Mas só percebo realmente quando ele chega
Explode em cima de mim no meio do caminho
Propulsão inflamável que me persegue e pega

E mesmo que o soldado não queira, ele sabe
Porque quando aquele míssil chegar, já era
Das reações que poderia ter nada mais cabe
Talvez a pior parte seja exatamente a espera

Então a explosão de faíscas cintilantes
Cegam e destroem tudo em minha volta
Todas as aspirações, previsões decentes

Tornam-se enfim inviáveis
Não é sua culpa soldado
Muito menos do lança-mísseis

sábado, 21 de maio de 2011

Eu precisava falar com alguém

Alguém que me entenda mais do que a maioria
Ou que seja ao menos compreensiva o bastante
Seja por palavras ou frases que cheguem até ela
Só sabendo que foram avaliadas em outra mente

E se as palavras forem ditas, como seria bom
Mas provavelmente só as verei escritas
Já basta ao menos, saber que a conversa foi
E se voltar de forma interessante, ótimo

Na conversa o assunto não importa
Seja de forma simples e direta
Poupando de complicações

Mas ninguém quer falar comigo
Nem é sobre isso, pode ser sobre nada
Eu só precisava falar com alguém

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Indagação Recorrente de um Dia Incoerente

Várias horas reduzidas em alguns minutos
Na memória fraca e imperfeita
Para tentar relacionar os vultos
Passam por mim, anuncio com corneta

Mas se houvesse maneira para entender
Sem ter como voltar atrás e viver tudo
Novamente, para mais uma chance de ver
Talvez desta vez permanecer mudo

Aprender sem poder utilizar o conhecimento
Apenas porque a oportunidade já passou
E os erros lhe praticam o descontentamento

Sem a paz de poder saber
Ficaria mais difícil conviver
Com as indagações recorrentes

terça-feira, 17 de maio de 2011

Soberania Ingênua

Erro mesmo quando acerto
Mas isso não me impede
Não oculte o mérito
Que minha soberania procede

Minha soberania tem total direito de errar
Melhor assim, que acertarem por mim
É muito mais gratificante ela tentar
Do que receber tudo dos outros enfim

Esconda as armas que expõe
Não temo mais a manipulação
Independência total me compõe

E mesmo que não pareça
Toda ação realizada
É fruto do que quero

Me avisem, não quero escutar

Esta insanidade e loucura que sinalizam
Só demonstra a insegurança com o ideal
Que de forma muito hipócrita eles pregam
Recusa-se reconhecer o importantemente vital

Chega destes avisos teatrais
Contrariando tudo que acredito
Simplesmente por diferir demais
Daquilo que eles consideram certo

Vou aproveitar minha independência libertina
Para recusar e ignorar tudo que me avisem
Irei avaliar comigo, no final será mais uma mentira

Mesmo tendo que escutar estas cacofonias
Eu não quero e nem preciso entender
Me avisem, não vou perder minhas manias

Cabeça Pensante da Manhã Cambaleante

Mal me levantei para poder lembrar
Como o mundo é um lugar estranho de morar
Mas perfeito para pensar e refletir
Buscar soluções que não vou aplicar

Ciclando infinitamente por alguns minutos
Pensamentos, frases e diminutos
E um livro escrevo na mente
Se perde no próximo instante

Caio dentro do buraco negro
Mentalidade embriagada
Manhã cambaleante

Saio de casa
Para a rotina de mais um dia
Não vou usar muito a cabeça pensante

Denso Azul no Pequeno Lago de Grandes Peixes

Clara visibilidade tenta transpassar pela densidade
Que se esvaece perante forte luminosidade
Sem deixar prever tal espontaneidade
Redenção na pobre verdade

Mas neste pequeno e imundo lago
Quem poderia imaginá-lo
Cheio de grandes peixes sem espaço vago
Conservam-se abaixo da neblina de mago

E esses peixes que nadam livres e amontoados
Um faminto pescador se sentiria tentado
A transpassar a lança no animal desalmado

Do pré-julgamento de um pescador ético
De que o peixe é alimento benéfico
Todo direito sobre a vida como um médico

Existência Anônima

Todo meu espectro de ação e influência
Apenas desanima o fato da existência
Que apesar de ser livre, é limitada
Qualquer tempo a veracidade verificada

E de nada basta a idoneidade de minha alma
Mundo onde os valores se perdem sem calma
Indivíduos únicos se homogenizam na multidão
Na sua ignorante e insensata busca por atenção

Mas nesta atemporal louca inversão
Tudo que atingem é ausência de emoção
E um conhecimento sem base de razão

Violões, pincéis e uma obra-prima
Fornecem certa fuga mínima
Para esta existência anônima

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Vãs Esperanças

As perspectivas distorcidas na realidade
Foram todas anuladas por uma verdade
Que incitou a revolta da emoção
E ela se destruiu pela falta de ilusão

Falta muita dúvida para poder acreditar
Mas mesmo assim ela não quer acabar
Que talvez um dia isso venha a acontecer
Mudando de estado para não deixar de ser

Agora é apenas vã
Mas mesmo assim existe
Não sei porque insiste

Me faz continuar sem razão
Nem me reservo à descobrir
O porquê dessas esperanças em vão

Compreensão amigável

Para entender todas as motivações
De todas as boas e más ações
E depois tentar aprender e ensinar
Com aquilo que a situação gerar

Entender a partir da tolerância
Que a diferença existe sem problemas
E que ela não é melhor ou pior
Mas uma conclusão alheia

Não há culpados
Mas apenas fatores
Que geram resultados ruins

E de toda a compreensão
Que pudesse existir no mundo
A amizade reinaria livre

Política sentimental

Envie-me suas boas ideias
Mas não sou eu quem as analisará
Porque não sou eu quem decido
Que sentimentos sentirei

E do embate do amor e do ódio
Da discórdia da angústia e alívio
A votação entre a felicidade e tristeza
Delimitando a paciência e ansiedade

Espero que decidam para meu melhor
E que não se corrompam simplesmente
Ainda não vi quem ganha sofrendo

Mas sempre será assim
De Altos e Baixos
Na política dos sentimentos

Coração Responsável

Você deveria saber
O quanto afeta
Desnorteia sem sentido
Sem consulta nenhuma

Sem aviso de perigo
Empurra para o penhasco
Em direção ao iceberg
E sendo navio ou carro

Me quebro e afundo
No frio e mar profundo
Sem esperanças

E depois me recupero
Dos erros que cometeu
Seja responsável, coração

Sonho Surreal

Eu já sabia que estava dormindo
Mas mesmo assim quis continuar
Porque essa realidade vem vindo
Tentando esmagar-me sem parar

Me perdi dentro do desconhecido
Achei algo que não existe
Adjetivos verbais que se anulam
Parei, continuei e forcei

Havia perdido a ciência de primeira
E nem estava mais sonhando
Simplesmente porque havia me esquecido

Então a realidade se inundou
De pensamentos surreais
Ficando finalmente mais compreensível

Meu pequeno mundo

Cheio dos acontecimentos internos
Alheio às tramas dos outros
Vazio da compreensão do universo
Fechado como em um pequeno mundo

Auto-suficiente mas insustentável
À deriva no universo, vagando
Colidindo ou fundindo com mundos
Mas sempre vou ter e saber do meu

Vistoso e brilhante para mim
Espero reconhecimento falso
Só para torná-lo importante

No final não posso me desvencilhar
E esse vai ser sempre meu mundo
Pequeno, grande ou seu

sábado, 14 de maio de 2011

Aonde está você?

Só porque queria te encontrar tanto
Acho que vi seu reflexo nas outras
Procurando por todo, qualquer canto
Tentei medir vários prós e contras

Mas no final você nunca existiu
Só de certa forma, não de verdade
E agora parece expressar realidade
Pode ser que meu sentimento fingiu

Como seriam seus olhos
Eu não te reconheceria de jeito nenhum
Só depois de muito tempo juntos

Percebi que quando acontecer
Talvez deixe morrer
Apenas porque me enganei antes

Momentâneo

Não é só porque não sou assim
Mas por ser um estado temporário
De um fato ou ação que aconteceu
E deixou um momento melhor agora

Talvez pela surpresa ou realização
Daquilo que eu queria mas não sabia
Mas no fim é bom de qualquer jeito
Só preciso aproveitar o momento

Momento deixando outro momento
Por que o ser pode estar
E o estado define o ser

Por isso o sol se põe e leva ou não
Mas uma hora tudo se põe
Porque é momentâneo